• Girardi

Controles internos para evitar fraudes


Nos últimos anos a população brasileira se acostumou, infelizmente, com notícias de corrupção e fraudes envolvendo empresas e agentes públicos. Contudo, muitas pessoas ainda acham que esses casos são exclusivos a este ambiente empresarial e político.


Diante desses recentes episódios e o aumento na complexidade da segurança de informações e transações, o investimento em compliance, de modo geral, é cada vez maior. Muitas empresas estão investindo e aperfeiçoamento seus controles internos. Os bancos e as instituições financeiras são exemplos disso.


Ao longo de nossa trajetória na Girardi conhecemos e vivenciamos alguns casos de fraude envolvendo organizações, sem, necessariamente, envolvimento político. Para esclarecer algumas circunstâncias, fomos convidados a analisar alguns casos, de onde nossa investigação acabou por comprovar fraudes por iniciativa de colaboradores de confiança e até mesmo de sócios, que acabaram desviando recursos e prejudicando a empresa. Recentemente, em uma organização de médio porte em meio ao afastamento do profissional com mais de 20 anos de empresa, por problemas de saúde, foi possível identificar que este estava desviando recursos e manipulando os registros contábeis a fim de acobertar seus atos. Em outro caso, sócios compravam insumos, que não chegavam até a empresa. Em poucos meses o desvio representou volume considerável de recursos, acarretando em prejuízos e uma crise de imagem da empresa em sua comunidade. O acontecimento levou ao afastamento dos envolvidos. Para minimizar e evitar casos como esses, as empresas precisam adotar controles internos a fim de fiscalizar e manter o monitoramento das operações e atividades críticas, com maior risco. A matriz de risco, onde é feita a análise de probabilidade e impacto de cada variável, propicia a visualização e definição de quais aspectos são prioritários e devem ser trabalhados com maior atenção. Quanto maior a probabilidade e o impacto, maior o risco.


Outra boa prática recomendada, a segregação de funções, é muitas vezes desconsiderada e está, frequentemente, conectada com casos de fraudes. Quando o mesmo profissional é responsável por operar diferentes funções, que tem relação entre si, o risco aumenta, visto que muitas vezes essas funções são de caráter operacional e de fiscalização. Há muitos casos de fraudes quando essas duas funções são exercidas pela mesma pessoa. É importante que as organizações tenham funções de operação, supervisão e fiscalização distribuídas em diferentes profissionais. A própria governança corporativa da empresa deve ter essa missão de minimizar conflitos internos e externalidades. Esses casos descritos ferem os princípios de transparência, equidade, prestação de contas e responsabilidade corporativa, que formam os pilares das boas práticas de governança corporativa.


São muitas as alternativas possíveis para fiscalizar e estabelecer os controles internos a fim de minimizar os riscos das organizações. Cada organização precisa analisar e estabelecer a estrutura mais adequada para trabalhar esses fatores diante de sua complexidade. Muitas empresas de pequeno e médio porte trabalham essas questões no escopo de trabalho da controladoria e a auditoria externa independente. Outras adotam também comitês internos de auditoria e conselho fiscal. O importante é que cada empresa estude as melhores soluções e tenha esta pauta em constante análise para aperfeiçoar seus controles internos e evitar desvios, como os casos de fraudes.


Quais mecanismos de controle interno sua empresa vem implementando para minimizar casos de fraude?

103 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo

Ao final da minha publicação anterior, destaquei a importância de empoderar e escutar os especialistas neste momento de tantas incertezas e necessidade de análise das mudanças que devem ocorrer a part

Passamos por um momento muito difícil em nossas organizações e sociedade em geral. Essa deve ser uma das crises mais profundas e complexas da nossa época. As mudanças são cada vez mais rápidas, e é po