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Democracia nas empresas


A centralização de poder e a concentração de questões estratégias apenas com a alta gerência impedem o desenvolvimento e o crescimento de muitas organizações. Esse comportamento despreza o fato do crescimento implicar em desenvolvimento de toda a organização, ou seja, no aproveitamento de toda sua capacidade interna para expandir e melhorar continuamente suas atividades.


O envolvimento e a participação de todos os colaboradores são fatores essenciais na construção coletiva do sucesso organizacional. A democracia é um conceito importante para a consolidação de modelos de gestão mais abertos e participativos e pode ser entendida como governo da maioria ou governo do povo, que elege seus governantes.


O primeiro sistema democrático que se tem notícia aconteceu na Grécia Antiga, no século V a.C. no governo de Péricles em Atenas. Lá, os cidadãos decidiam, em assembleias em praça pública por meio de debates e persuasão, as diretrizes da política ateniense através do voto direto. Cabe ressaltar que, infelizmente, nem todos eram considerados cidadãos – como mulheres, estrangeiro e escravos – fato que limitava a decisão política da pólis a alguns homens – minoria da população, considerados aptos para tomar decisões. Já a democracia dos Estados Modernos tem como característica a representatividade, onde por meio da eleição, decide-se quem irá representar o povo nos espaços administrativos destinados aos políticos profissionais. Estes espaços, muitas vezes, ficam em locais à parte de centros públicos, e são constituídos por políticos profissionais, outro fato importante para se analisar a democracia contemporânea.


No livro Dicionário de Conceitos históricos os autores Kalina Vanderlei Silva e Maciel Henrique Silva ressaltam, porém, que há semelhanças nos dois modelos políticos de democracia – direta e representativa. Para os autores, o individualismo e a desconfiança com relação aos governantes fazem parte das duas democracias. Tais semelhanças são influencias pelo autointeresse de dirigentes e de governantes que deixam de lado o interesse do povo – a quem deveriam representar.


Esse comportamento, ao contrário do que muitos pregam, não é exclusivo do sistema brasileiro (o que também não serve de justificativa). No livro O Futuro, Al Gore, vice-presidente dos Estados Unidos entre 1993 e 2001, afirma que o sistema político americano não atende mais às preocupações legítimas de seu povo. Essa atitude compromete o desenvolvimento político e social do país. Muitos políticos, na verdade, não são mais representantes do povo e, hoje, representam apenas pessoas e empresas que fazem doações para suas campanhas eleitorais. A democracia, em muitas nações, vem enfrentando dificuldades, pois o poder das corporações supera o interesse público. Sem falar nos países em que as decisões são concentradas nas mãos de ditadores!


Por outro lado, Al Gore acredita que a democracia “quando funciona em um padrão saudável, se vale das interações de pessoas com diferentes perspectivas, predisposições e experiência de vidas para gerar sabedoria e criatividade”. Essa descrição é fundamental e é possível de ser aplicada em empresas. No Brasil, o Instituto de Pesquisa Datafolha pesquisa desde 1989 a confiança do povo com o regime democrático. Desde sua primeira aplicação, a pesquisa chegou ao seu índice mais elevado em 2014, no qual 66% dos entrevistados acreditam que a democracia é a melhor forma de governo. Hoje, certamente, o país vive uma crise de desconfiança com o sistema em funcionamento. Casos de corrupção e descaso com o interesse público são evidentes e cada vez mais preocupantes. Assim como o capitalismo também vem passando por novas propostas¹ em seus conceitos, a democracia também precisará de tais ajustes para retomar sua efetividade em muitas nações.


Nas empresas, assim como nos governos, a democracia é o melhor sistema a ser adotado.


Empresas centralizadoras e ditadoras desperdiçam o potencial de colaboração e de construção coletiva. Elas sufocam a participação e atrofiam a motivação interna. Essas companhias estão fadadas ao fracasso. Em São Paulo, escolas adotaram assembleias e debates com os alunos para decidir questões antes centralizadas com os professores e diretores. A escola, de forma geral, é criticada, muitas vezes, por ser uma instituição conversadora. Esses exemplos inspiram novos modelos de negócios com princípios democráticos.

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